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Legião Urbana - Histórico

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Nesta página descreverei a trajetória completa da Legião Urbana.

O grupo Legião Urbana foi formado em Brasília em 1982 e sua última formação acabou sendo Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo (cujo nome de nascença é Renato Manfredini Júnior. O "Russo" foi adicionado em homenagem ao iluminista suíço Jean-Jacques Rousseau, ao filósofo inglês Bertrand Russel e ao pintor francês Henri Rousseau).

Até então cultor de medalhões como Led Zeppelin e Pink Floyd, o baixista Renato Russo descobriu o punk rock em 1977, aos 17 anos, quando outro professor da Cultura Inglesa, um escocês chamado Iain, voltou da Grã-Bretanha falando de "uns tais" Sex Pistols. No ano seguinte, em um dia qualquer, Renato Russo estava na Taberna (um bar em Brasília) e veio descendo um punk, um Sid Vicious loiro, como Renato dizia. Era André Pretórius, filho do embaixador sul-africano no Brasil. Renato chegou nele e a primeira coisa que falou foi: "Você gosta de Sex Pistols?" E ele: "Sex Pistols! Yeah! Jóia!" E começaram a trocar informações. Nisto Renato, baixista, fundou o Aborto Elétrico junto com André, o guitarrista e também com Felipe Lemos, baterista. Eles passavam várias tardes ensaiando as músicas de Ramones, Sex Pistols e Slaughter and the Dogs até a primeira apresentação, em 1980, em um bar chamado "Só Cana". O Aborto Elétrico acabou se tornando o embrião tanto da Legião Urbana (de Renato) quanto do Capital Inicial (de Felipe), junto com o Plebe Rude (de André Müller), a santíssima trindade do rock brasiliense dos anos 80.

A Legião Urbana surgiu após a separação do Aborto, que ainda teve como componentes Ico-Ouro Preto e Flávio Lemos (também Capital Inicial). Esse grupo - rápido e barulhento, fortemente influenciado pelos Stooges e pelos Sex Pistols - sofreu com o entra-e-sai dos seus integrantes e, por isso, nunca chegou a um disco próprio. Contudo, algumas de suas canções foram posteriormente gravadas pela Legião (como Geração Coca-Cola e Conexão Amazônica) e pelo Capital (Veraneio Vascaína e Fátima). O público da banda era relativamente grande, principalmente na parte dos jovens estudantes. Porém André Pretorius teve de servir o exército da África do Sul, naquela época envolvido na manutenção do regime de apartheid após ter feito um único show com o grupo. Assim então entrava na banda Flávio Lemos para tocar baixo, com Renato assumindo a guitarra deixada por Pretórius. Este voltaria ainda em 1980 para umas férias em Brasília participando dos ensaios cruciais das músicas supra-citadas neste parágrafo. Sua vida teve fim em 1985 ao morrer vítima de uma overdose nos Estados Unidos. Voltando para a história do Aborto, este viveria seu auge no ano de 1981, fazendo diversos shows com outras bandas, e tocando também em um sem número de festas, colégios, etc.. No meio deste ano, Ico-Ouro Preto entraria para assumir a guitarra, deixando Renato livre apenas para os vocais. Entretanto, o grupo acabaria definitivamente por causa de uma briga relacionada à música Química entre Renato e Felipe, em março de 1982. O clima já estava ruim entre eles, mas aquilo para Renato, que já sonhava em gravar um disco enquanto Felipe preferia o amadorismo, foi a gota d'água.

Foi nessa época que Renato, então estudante de Jornalismo na UnB, transformou-se. Era agora "O Trovador Solitário" que, sozinho ao violão, interpretava composições próprias, como Eduardo e Mônica e Química. Curiosamente foi uma fita dessa fase que chegou aos ouvidos do então diretor-artístico da EMI-Odeon, Jorge Davidson, que durante algum tempo julgou ter nas mãos um grupo folk. Ao mesmo tempo dessa fase, Renato foi contratado por uma rádio de Brasília para comandar um programa de jazz. Só que ele não podia ver um microfone em sua frente. Entre uma música e outra, descarregava sua metralhadora verbal, contando histórias sobre a dependência de drogas e Chet Baker e outras amenidades no programa que pretendia servir de fundo musical ao almoço da elite brasiliense. Os produtores da rádio tentaram, então colocá-lo para dirigir um programa sobre os Beatles. Um pouco mais de um ano depois, Renato alugou uma sala no edifício Brasília Rádio Center para tocar um novo projeto com o baterista Marcelo Bonfá. A eles se juntaram o tecladista Paulo Paulista e o guitarrista Eduardo Paraná. Este, no entanto, tinha um defeito grave para uma banda que, embora quisesse distância da zoeira, ainda estava imbuída do espírito punk: Paraná solava demais. "E nos éramos contra", lembrava Renato. Ico Ouro-Preto o substituiu, assumindo a guitarra por um certo tempo, mas acabou abandonando o grupo, em abril de 1983, às vésperas de um importante show agendado no auditório da Associação Brasileira de Odontologia. Dado Villa-Lobos foi convocado às pressas para segurar a guitarra. Aprendeu nove músicas em duas semanas e fez o show. Foi como um trio - Renato, Bonfá e Dado - que se cristalizou a formação da Legião Urbana.

A Legião tornou-se conhecida mesmo quando começou a tocar fora de Brasília participando de shows como os do Circo Voador no Rio de Janeiro na noite de 23 de julho, que também contou com Lobão e Capital Inicial. Suas primeiras canções eram, como já foi falado, em sua grande parte, herdadas do Aborto, tais como: Que País é Este (que abria quase todas as apresentações do grupo), Conexão Amazônica, Geração Coca-Cola, Ainda é Cedo, Veraneio Vascaína, Química, etc..

Fato curioso dessa época, é que pouca gente sabia ainda que os versos de Química, que Herbert Vianna se esgoelava para cantar em Cinema Mudo acompanhado pelos vestibulandos de então, tinham já a marca de Renato Russo.

1.LEGIÃO URBANA

Em 1984, entra Renato Rocha (que integrava "CIA e dos Dentes Kentes"), vulgo Billy, vulgo Negrete no baixo. Mas por que essa entrada repentina de Rocha se já havia um baixista para o grupo? Porque Renato Russo queria ficar mais livre para cantar e porque ferimentos nos pulsos, causados por uma tentativa de suicídio, lhe haviam tirado parte dos movimentos das mãos. O grupo, apadrinhado pelos também brasilienses Paralamas do Sucesso (já que Renato, quando conseguiu o emprego de programador de uma rádio FM, conheceu o grupo, iniciando-se uma grande amizade), assina com a gravadora EMI-Odeon. "Legião Urbana", o disco, produzido pelo jornalista José Emílio Rondeau, foi lançado às vésperas do primeiro Rock in Rio, no dia 1º de janeiro de 1985, mesmo com uma certa má vontade da gravadora em divulgar o próprio produto e uma desconfiança de que a banda era somente uma aproveitadora do sucesso dos Paralamas. É estranho pensar hoje, doze anos depois, que o Rock in Rio I teve a presença de Rita Lee, Erasmo Carlos e não contou com a da Legião. Naquela época, porém, a Legião ainda não vingara. Muito pelo contrário, aliás, o próprio festival congelara o disco "Legião Urbana" por uns bons seis meses (o disco ficou hibernando nas lojas por este tempo todo), quando finalmente começou a tocar nas rádios quase faixa a faixa. O Rock in Rio, de uma maneira ou de outra, também ajudou a catapultá-lo depois. Foi no embalo do festival que Será invadiu as rádios. Essa música foi seguida por Teorema que foi seguida por Ainda é Cedo que foi seguida por Soldados, sem se esquecer ainda de Geração Coca-Cola e da belíssima Por Enquanto. Na época Renato duvidava de que pudesse alcançar o sucesso: "Acho que a Legião nunca vai ser a banda mais popular do Brasil por causa do que a gente fala". Mesmo assim o sucesso era notório, e o álbum acabou sendo eleito o melhor do ano pela revista BIZZ, que também apontou a Legião como a melhor banda, dona do melhor vocalista e compositora de melhor música: "Será". Quando a Legião saiu do estúdio, depois de um ano e meio, com o primoroso "DOIS", para muitos o melhor disco do rock nacional, as rádios ainda não tinham esgotado o primeiro LP (que vendeu até hoje uma base de 550 mil cópias, aproximadamente), com as músicas ainda estando no ar. "DOIS", por sua vez, foi intensamente explorado e representou o salto da Legião, e de Renato, para o mega-estrelato.

Será, a primeira canção do disco, começa com os seguintes versos: "Tire suas mãos de mim/Eu não pertenço a você". Parecia uma declaração de príncipios punks, autoritária e arrogante, onde o grito de independência pressupõe o corte de todos os laços (afetivo e de qualquer tipo) com o mundo ao redor e com as pessoas que vivem nesse mundo. Mas Será é antes de tudo uma canção romântica (não foi por acaso que fez sucesso na voz de Simone e no ritmo de pagode-swing do Raça Negra). O sentimento predominante na música, e nas demais faixas do primeiro disco da Legião Urbana, não é a revolta, mas sim o desamparo ("Quem é que vai nos proteger?") e a necessidade urgente da criação de uma nova comunidade, sem depender de ninguém, já que ninguém nos protege.

Essa proposta (assim mesmo desesperada e desamparada) utópica da Legião parece algo meio descrente de seus princípios, ou da existência de alguma solução para qualquer problema. Solução? Em Teorema a própria idéia de solução é colocada em suspenso: "Não sabemos se isso é problema/Ou se é a solução". Tudo é, por princípio, motivo para dúvida: "Se eu soubesse lhe dizer qual é a sua tribo/Também saberia qual é a minha" (Petróleo do Futuro); "Vivemos num planeta perdido como nós/Quem sabe ainda estamos a salvo" (Perdidos no Espaço); "Qual é a diferença?" (Baader-Meinhof Blues); "Quem é o inimigo?" (Soldados); Eu não sei mais o que/Eu sinto por você" (Ainda é Cedo).

Não era possível perceber, a partir desse disco de estréia quais seriam os próximos passos musicais da banda. Muitos pontos de vista musicais convivem em cada faixa. Muitas vozes conflitantes cantam cada letra. A Legião Urbana inaugura nesse disco todos os procedimentos poéticos que serão desenvolvidos nos próximos lançamentos. Muitas vezes quem canta é uma personagem, que pode citar (veja as letras impressas no encarte e conte o número de aspas e travessões) outras personagens. Outras vezes são contadas histórias (como em O Reggae) sem que se saiba quem está no comando da narrativa. Não existe uma visão de mundo privilegiada, não existe ideologia única, não existe futuro para quem não acredita em futuro, como a visão punk. Mas nada disso fica totalmente claro. Até porque a última canção do disco coloca tudo, mais uma vez, em suspenso, tudo parece provisório, tudo parece estar aqui apenas Por Enquanto. O disco termina com uma declaração no mínimo inesperada: "Estamos indo de volta pra casa".

 

3. DOIS

Em 1985 começavam os esboços do álbum "DOIS" que deveria se chamar "Mitologia e Intuição" e ser um álbum duplo. Mas a gravadora EMI-Odeon recusou-se a realizar tal projeto, acabando por lançar apenas um álbum simples. Ironia do destino, este álbum acabou sendo o de maior vendagem do grupo, atingindo na época 800 mil cópias vendidas facilmente, e até os dias atuais atingindo a marca de 1,1 milhão de cópias vendidas, com sucessos como "Índios", Tempo Perdido, Andrea Doria, Quase sem Querer, Eduardo e Mônica e Acrilic on Canvas. Todas elas saíram do vinil direto para o imaginário daquela juventude pós-ditadura que começava a entrar nas universidades. Mesmo com isso, o vocalista descartou a mitificação em torno do grupo: "Somos apenas quatro amigos que gostam de estar juntos", dizia ele. Renato com esse disco também começava a ensaiar seu adeus ao mundo público, que seria sacramentado anos mais tarde no quarto disco da banda: "As Quatro Estações"

O disco começa com uma colagem sonora onde se escuta, em meio a outros ruídos e outras músicas como o hino da Rússia, o seguinte trecho de Será: "Brigar pra quê/Se é sem querer". Mas parece que alguma coisa mudou, que as perguntas (e talvez a ausência de respostas) não incomodam tanto, que foi descoberta uma maneira de se conviver - pacificamente - com a perplexidade: "Ainda estou confuso/Só que agora é diferente/Estou tão tranqüilo e tão contente" (Quase Sem Querer). Parece que foi encontrado um antídoto contra a maldade e o erro, quase como se a resposta procurada fosse a resignação: "Nada mais vai me ferir/É que eu já me acostumei/Com a estrada errada que segui/E com a minha própria lei" (Andrea Doria).

Mas a resignação não é tudo. Em "DOIS" torna-se mais clara uma outra faceta inesperada, principalmente levando-se em conta sua origem punk, da Legião: uma "vontade" de religião e piedade. Em Baader-Meinhof Blues, do primeiro disco, já aparece um vestígio de sentimento cristão: critica-se uma sociedade para a qual "amar ao próximo é demodé". Mas em "DOIS" o que estava submerso em metáforas e ironias vem à tona: sua primeira faixa, logo a mais, digamos, "explicitamente" sexual, tem um título bíblico: Daniel na Cova dos Leões. Em Fábrica, logo a mais punk (colocando-se de lado a indignação de Metrópole), a Legião canta: "Nosso dia vai chegar" e "Quero justiça". O canto não deve ser tomado ao pé da letra. A Legião Urbana canta, mas o que é cantado não expressa necessariamente o pensamento da Legião Urbana. O eu de cada canção nem sempre pode ser confundido com o pensamento da Legião Urbana. Em Fábrica, pode estar cantando um operário. Acrilic on Canvas‚ um diálogo entre duas (ou mais?) pessoas que não sabemos quem são. Eduardo e Mônica, composição mais antiga, é uma narrativa de uma história com começo, meio e fim. O ouvinte fica sem saber da opinião do cantor sobre aquilo que canta. Nada‚ obviamente partidário ou panfletário.

Por tudo isso, a Legião nesse tempo já tinha seu espaço reservado no rock nacional. Seus shows eram famosos pela postura considerada messiânica de Renato e por um comportamento totalmente anti-pop. Não abriam shows para ninguém e não permitiam baderna de espécie alguma durante os seus shows. Há porém uma mancha nesse período de sucesso do Legião. Um show no ginásio poliesportivo de Brasília, o Nilson Nelson, em dezembro de 1986, terminou com uma menina morta e outras 20 pessoas feridas. Depois desse show, a Legião passou quase dois anos em auto exílio, sem tocar em Brasília. Mais tarde, Renato Russo desejaria que esses dois anos tivessem sido 100 anos.

1. QUE PAÍS  ESTE - 1978/1987 

Após o álbum "DOIS", a Legião quase terminou. Dado pensou em fazer prova para o Instituto Rio Branco, Bonfá pensou em ir pegar onda na Austrália e Negrete ficou na dele, como sempre. Passada a fase mais difícil, iniciaram a gravação do álbum "Que País É Este - 1978/1987", em novembro de 1987, utilizando o material que deveria ser utilizado na realização do que seria o "Mitologia e Intuição". O álbum, que vendeu 930 mil cópias, fez um grande sucesso por ser um disco bastante crítico e inovador. Ele contava com várias músicas do tempo do Aborto Elétrico (que já estavam sendo distribuídas em fitas piratas entre os fãs legionários), como Que País é Este, Tédio (Com um T Bem Grande pra Você) e Conexão Amazônica, e outras novas, como Angra dos Reis e Mais do Mesmo (que inicialmente daria título a coletânea). É interessante escutar os discos na ordem em que foram lançados, ouvindo as composições do Aborto Elétrico depois de Tempo Perdido ou "Índios". No começo punk predominavam as letras na primeira pessoa. Com o passar do tempo, o eu foi dando lugar ao você. A ironia foi dando lugar a algo parecido com sinceridade. A irritabilidade foi se transformando em tranqüilidade. A negação de tudo cedeu lugar a uma afirmação trágica do mundo. A grande vedete desse disco, no entanto, foi a mais improvável de todas: Faroeste Caboclo, uma música de pouco mais de nove minutos de duração, um dos maiores sucessos radiofônicos dos anos 80, contra todas as previsões das cartilhas das gravadoras, que sozinha consumiu quase metade do tempo de gravação de "Que País é Este". Mesmo demorando tanto para gravar, a música foi composta rapidamente. "Escrevi a música toda em duas tardes sem mudar uma vírgula... ‘Não tinha medo o tal João do Santo Cristo...’ e foi embora", dizia Renato Russo numa entrevista a Leoni (ex-Kid Abelha). Escrita em 1979, na época do Aborto, sua quilométrica letra - 159 versos! - narrava a paixão e morte de um certo João do Santo Cristo, misto de traficante e homem santo (uma espécie de Brasil personificado). Esta saga começava como música sertaneja, passava pelo reggae e terminava punk rock. O sucesso dela surpreendeu o compositor: "Acho que as pessoas se indentificaram com o personagem". Este 3º álbum rendeu à banda a consolidação no cenário do rock nacional, mas também trouxe a banda complicações como um novo tumulto em um outro show em Brasília, na noite fria do dia 18 de junho de 1988.

Esperava-se muito deste show. E muito veio, mas não da maneira desejada. A produção local, da firma Agora Eles, não foi capaz de aquilatar a relação de amor e ódio que unia a Legião a Brasília. Montou um pífio esquema de segurança e um palco baixíssimo, quase na altura do gramado. Resultado: os tumultos ocorridos diante do palco acabaram atingindo a banda, seja na forma de bombinhas, seja na pessoa de um doente mental que, patética mas perigosamente, se agarrou ao pescoço de Renato, sendo brutalmente expulso. O quarteto até tentou continuar tocando, mas teve que desistir e saiu de cena, agitando mais ainda a platéia de mais de 50 mil pessoas presentes no estádio Mané Garrincha. A batalha campal que se seguiu, envolvendo a polícia montada e bombas de gás lacrimogêneo, desenvolveu num quebra-quebra pela cidade e deixou um saldo de 60 pessoas detidas, 385 atendidas pelo serviço médico e 64 ônibus depredados. Por tudo isso, o grupo, e sobretudo Renato, foi acusado de incitamento à baderna. Enquanto isso no camarim o baterista Bonfá e o baixista Renato Rocha - esse normalmente muito calmo - choravam enquanto Renato Russo gritava "não vim aqui para dar um show para um bando de animais!". Nunca mais a Legião voltou a tocar em Brasília.

5. AS QUATRO ESTAÇÕES

Ainda no ano de 1988, ao final da turnê do terceiro LP "Que País é Este", Renato Rocha deixa o grupo (mais tarde, em 1994, durante uma entrevista no programa "Passado, Presente e Futuro" da MTV Brasil, Bonfá, lacônico a respeito do assunto, argumentaria apenas que Negrete "era muito louco". Já Dado Villa-Lobos seria incisivo: "Os atrasos, perdas de vôos e falta nos ensaios estavam prejudicando o desempenho da banda", revelaria o guitarrista). Russo e Dado então, revezam-se no baixo na gravação do LP "As Quatro Estações", lançado em outubro de 1989. Este álbum iniciou uma nova fase para a banda. Deixada de lado a fúria do disco anterior, este álbum era mais ligado à assuntos espirituais e sentimentais. A religiosidade, no sentido mais amplo dessa palavra, toma conta de todas as faixas. Renato Russo explicava: "Acho que a única solução hoje é espiritual". Há Tempos, a primeira canção, dá o tom para o resto do disco: "Disciplina é liberdade/Compaixão é fortaleza/ Ter bondade é ter coragem". A irônica rebeldia punk cede lugar para uma dolorosa busca da mais perfeita, agora sim, sinceridade.

Tudo ainda parte da melancolia: "Há tempos o encanto está ausente" (Há Tempos); "Até bem pouco tempo atrás/Poderíamos mudar o mundo" (Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto); "Meu coração é tão tosco/E tão pobre, não sabe ainda/Os caminhos do mundo" (Sete Cidades). A conquista da ética, da tranqüilidade e do amor‚ feita não com a derrota do mal, mas apesar do mal, como numa profissão de fé desesperada. Determina-se: "De hoje em diante,/Todo o dia vai ser o dia mais importante" (Eu Era Um Lobisomem Juvenil). E revogam-se todas as disposições em contrário. É tudo uma questão de vontade: "O Brasil é o país do futuro/Eu quero tudo pra cima" (1965 (Duas Tribos)). O disco ainda fala de temas como a AIDS (Feedback Song for a Dying Friend) e homossexualismo (Meninos e Meninas), mas sem deixar a crítica de lado como em 1965 (Duas Tribos). "As Quatro Estações" é um pequeno tratado sobre virtude, é um manual de como ser virtuoso depois do punk, quando já não se acredita em nada. A Legião Urbana canta a lealdade, a nobreza, o carinho, a amizade. Mas canta sobre tudo o amor, a mais "encantadora" das virtudes. Pois: "Quando se aprende a amar/O mundo passa a ser seu" (Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar); "Sem amor eu nada seria/Só o amor conhece o que é verdade" (Monte Castelo). A ausência de sentido, a imperfeição do mundo, o "no future" não impede o amor: "É preciso amar as pessoas/Como se não houvesse amanhã" (Pais e Filhos). Com tudo isso, "As Quatro Estações" vendeu como água. De cara, foram 450 mil cópias, tiragem que dobraria anos depois e hoje chega a marca de 1,4 milhão, a maior vendagem da carreira da Legião. O fato do grande número de vendas no início surpreendeu o grupo, já que nenhuma das músicas tinha qualquer característica pop.

A partir desse disco, e dos já citados incidentes em Brasília, em 1988, o grupo começou a se afastar dos palcos. Em 1990, no mesmo dia da morte de Cazuza (7 de julho), eles deram talvez seu show mais memorável, no areal do Jockey Club Brasileiro.

Por fim, este disco marcou uma virada na vida de Renato. Em junho de 1990, o vocalista assumiu pela primeira vez o seu homessexualismo em entrevista à revista Bizz. "Eu estava precisando me assumir há muito tempo", diria ele. "É muito difícil viver numa sociedade em que você é um pária".

6. V

Para quem esperava a bem-aventurança pacífica, ou passagem imediata para o paraíso, depois da eterna mudança de "As Quatro Estações", o álbum "V" deve ter sido uma surpresa (à primeira vista, pelo menos) muito estranha. Lançado em dezembro de 1991, e vendendo até hoje 600 mil cópias, este é o álbum mais triste, e talvez por isso mesmo o mais belo, da Legião Urbana. Apesar da temática mais pessimista e temas como drogas (A Montanha Mágica) e a situação difícil das pessoas no Brasil (O Teatro dos Vampiros), não é um disco sobre a morte, nem mesmo sobre perda, é mais uma apologia da serenidade que se tem quando se descobre a beleza no barulho da realidade ("V" é o disco menos barulhento da Legião), é - para usar um lugar-comum - um disco do inevitável amadurecimento. Tanto que "V" tem uma música, um rock progressivo, chamado Sereníssima. Não é certamente o caminho mais fácil, nem o mais seguro, para a serenidade: "Consegui meu equilíbrio/Cortejando a insanidade". Tal equilíbrio só pode ser instável, um estado onde "o caos segue em frente/Com toda a calma do mundo". Mais do que isso: um estado que não tem nenhum futuro assegurado: "A felicidade mora aqui comigo/Até segunda ordem" (A Montanha Mágica). A Legião Urbana continua a trilhar seu caminho sagrado pelo mundo profano do pop. Agora as imagens são mais guerreiras: o Buda de "As Quatro Estações" reaparece, como um cruzado alquimista, "sem sela e espada", de Metal Contra as Nuvens. Uma faixa instrumental se chama A Ordem dos Templários. E o disco abre com uma cantiga amorosa do século XII. Segundo Renato, existiam várias leituras possíveis para o disco: "Quero que me digam o que entenderam". Sobre a turnê desse álbum, dizemos que ela acabou sendo interrompida em setembro de 1992 por complicações de saúde de Russo. Ele vivia um período difícil como contaria mais tarde: "Cancelamos shows porque eu estava bebendo de cair, com tendência suicidas". De acordo com o vocalista, seu envolvimento com álcool e drogas havia começado aos 17 anos. "Experimentei tudo, mas sempre terminava em álcool e tranquilizantes". Mas alertava os fãs: "Não quero que sigam meu exemplo". Após um dos últimos shows dessa época, Dado achava que jamais subiria novamente num palco ao lado de Renato e de Bonfá.

7. MÚSICA PARA ACAMPAMENTOS

Por pressão da gravadora, no ano seguinte ao álbum "V", o grupo lança "Música para Acampamentos", uma coletânea dupla do trabalho ao vivo deles com versões de músicas apresentadas em shows e especiais de rádio e TV que, porém, não deixou a banda satisfeita com o resultado. Foi o disco do grupo que menos vendeu, 270 mil cópias. As músicas que entraram neste álbum foram: Disco 1 - Fábrica / Daniel na Cova dos Leões / A Canção do Senhor da Guerra (a única música inédita do álbum) / O Teatro dos Vampiros / Ainda é Cedo / Gimme Shelter (Mick Jagger / Keith Richards) / Baader-Meinhof Blues / A Montanha Mágica / You’ve Lost That Lovin’ Feelin’ (Barry Mann / Cynthia Weil / Phil Spector) / Jealous Guy (John Lennon) / Ticket To Ride (John Lennon / Paul McCartney) / Eu Sei / "Índios". Disco 2 - A Dança / Mais do Mesmo / Soldados / Blues da Piedade (Frejat / Cazuza) / Faz Parte do Meu Show (Renato Ladeira / Cazuza) / Nascente(Flávio Venturini / Murilo Antunes) / Música Urbana 2 / On the Way Home (Neil Young) / Maurício / Há Tempos / Pais e Filhos / Stand By Me (King / Leiber / Stoller) / Faroeste Caboclo / Exit Music: Rhapsody in Blue (George Gershwin).

Nessa época, Renato se internou numa clínica de apoio a drogados e, por um tempo, abandonou o álcool e a cocaína.

8. O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

Em novembro de 1993, é lançado o álbum "O Descobrimento do Brasil", vendendo 430 mil cópias até hoje. Não se trata, como poderia ser esperado de um disco lançado naquela época, quando aparecem bandas como Raimundos e Chico Science & Nação Zumbi, de uma retomada das "raízes" nacionais. O descobrimento do Brasil é um mergulho na história da própria Legião Urbana, e - para usar mais um lugar-comum - o encerramento de um ciclo. É como se a serenidade da Legião Urbana de "V" fizesse as pazes com o desequilíbrio punk do Aborto Elétrico. Era uma volta ao pop com músicas mais simples. "É um disco mais leve", diria Renato Russo. "Fala da valorização da família sem ser careta". Perfeição, a primeira música de trabalho desse disco, prova que tal pacificação é possível. A indignação e a auto-ironia punk da primeira parte dessa canção terminam com um hino de confiança no futuro: "Venha, que o que vem é perfeição". A música é uma das melhores demonstrações do Renato Russo político existente.

De onde vem essa convicção? Como passamos a ter um futuro (e uma História) assim tão de repente? A Legião Urbana dá uma resposta óbvia: "O fim-do-mundo já passou" (Vamos Fazer um Filme). Mas do ponto de vista pessoal , o mundo continua, e o mundo tem futuro, pois essa é a única maneira de continuar a viver: "E você diz que tudo terminou / Mas qualquer um pode ver: / Só terminou pra você" (Os Barcos). Sendo assim, nada está perdido e continuamos a ter todo o tempo do mundo. Nesse novo "nosso próprio tempo" a Legião Urbana nos dá a única receita para viver nossas vidas: imaginar tudo como se fosse "um musical dos anos 30" (Vamos Fazer um Filme) no meio da Grande Depressão. E quem disse que não dá pra ser feliz no meio da Grande Depressão? E quem disse que sem Deus tudo é permitido? A Legião Urbana canta: "Eu não sei nada e continuo limpo" (A Fonte). E acrescenta, como numa atualização (depois de todo esse "tempo") de Será: "Sai de mim / Que eu não quero mais saber de você", isso porque "Só estou aberto a quem sempre foi do Bem" (Do Espírito).

O ciclo termina com uma crença inabalável: "Meu espírito / Ninguém vai conseguir quebrar" (Um Dia Perfeito). A última palavra de O Descobrimento do Brasil é YEAH, gritado, virtuosamente punk. Isso mostra claramente que com esse álbum, o grupo buscava mais a esperança, embora todas as músicas falassem sobre despedida. As letras mostram um Renato "refeito" pois, nessa época, ele já tinha iniciado seu tratamento, já citado anteriormente, contra a dependência química.

9. A TEMPESTADE (OU O LIVRO DOS DIAS)

Após quase 1 ano e meio sem gravar, a Legião iniciava o seu novo trabalho. Segundo Dado, tratava-se de um álbum duplo, com um pouco de tudo, baladas, rock, incluindo algumas canções citadas no encarte do terceiro álbum e que não entraram em nenhum dos discos. O álbum tinha lançamento previsto para o final de setembro, mas ainda não tinha nome.

Durante esse tempo que passou sem gravar com a Legião, Renato Russo lançou dois projetos solos. Um deles, chamado "The Stonewall Celebration Concert" contem 21 músicas em inglês, compostas por Bob Dylan, Madonna e Billy Joel entre outros. Renato Russo gravou esse disco para a campanha do sociólogo Herbert De Souza, o Betinho. Endereços de várias ONG’s (Organizações Não Governamentais), desde o Greenpeace até organizações contra a AIDS, foram incluídos no encarte do CD. Renato também gravou um disco em italiano, chamado "Equilibrio Distante". Incluindo canções como La Solitudine, La Forza Della Vita e Wave (Como Fa’ Un Onda), o disco foi um sucesso de vendas surpreendente, com mais de 300 mil cópias vendidas. A música Strani Amori foi muito bem executada pelas rádios, e o clip da mesma música concorreu no Video Music Awards Brasil, promovido pela MTV, no ano de 1996. Nessa época, os rumores dizendo que o cantor era portador do vírus da AIDS começaram a ficar mais freqüentes. E Renato Russo começou a ficar cada vez mais recluso.

Finalmente, em 21 de setembro de 1996, sai o último álbum da banda feito em vida de Renato, que já vendeu mais de 800 mil cópias até o momento: "A Tempestade" (ou "O Livro Dos Dias"). A idéia do álbum duplo teve de ser abandonada por motivos comerciais. Mesmo assim, após 3 anos sem gravar, o álbum era mais do que esperado. A música de trabalho A Via Láctea traçava uma idéia de como seria o álbum, melancólico, onde Renato insinuava que algo estava errado. Foi veiculada nas rádios a partir de 29 de agosto e era bem recebida pelo público. A Legião parecia então, caminhar em direção a mais um sucesso, mas a sua história seria interrompida abruptamente. Um choque para os fãs, que não sabiam de uma parte da história. Uma parte meio obscura. Voltando ao tempo... No início de 1996, Renato Russo entrou em crise depressiva profunda, fato que provocou várias vezes a interrupção dos trabalhos de gravação do disco, que duraram cerca de 6 meses. Neste trabalho, não aparecem agradecimentos, nem a frase em latim presente em quase todos os álbuns "URBANA LEGIO OMNIA VINCIT" ("A LEGIÃO URBANA A TUDO VENCE"). Renato recusou-se a tirar fotos para este álbum e fez dele uma carta de despedida aos fãs. Após as gravações, em junho de 96, Renato se isola em seu apartamento no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, muito abalado fisicamente por causa de uma forte pneumonia. Como andava também deprimido, o vírus HIV acabava destruindo suas defesas. Nas últimas semanas já recusava-se a comer e a sair do quarto. Renato era soropositivo desde 1989. O roqueiro, que jamais veio a público revelar que tinha AIDS, mas que nunca escondeu que talvez pudesse ser portador do vírus vem a falecer. Na madrugada de 11 de outubro de 1996, quando o relógio marcava 1:15, a AIDS através de uma insuficiência pulmonar e de uma anemia aguda levava mais um grande poeta dos anos 80. Segundo a mãe do cantor, Maria do Carmo Manfredini, o nome de seu último álbum revela bem o estado de espírito de Renato pouco antes de sua morte. Ele dizia que queria muito fazer deste álbum algo muito especial, pois não sabia se faria outro. "Este nome foi escolhido porque havia uma tempestade dentro dele. Ele quis chegar ao fim. Ele não se suicidou, mas simplesmente não lutou", declarou.

A morte do vocalista deixou um vazio na cena pop rock. Em uma terra sem tradição no rock'n'roll, Renato era um verdadeiro astro do rock, que seguia os passos de Jim Morrison, dos Doors, e Morrissey, dos Smiths. Em comum, um carisma inegável, talento para compor letras inesquecíveis e um poder assustador sobre o público. Ao vivo, a banda superava qualquer outra atração do rock brasileiro. Havia, é claro, a competência de Dado e Marcelo, precisos em seus instrumentos. Mas era Renato quem levava o público à loucura com suas frases ternas ou agressivas, sua dança hipnótica ou seus gestos inesperados (comer flores no palco, por exemplo). Tamanha adoração confundia Renato Russo. "Isso vem do público", dizia ele. "Nunca quis dizer para as pessoas o que fazer". Comparado a Sid Vicious, Ian Curtis e Kurt Cobain, Renato Russo torna-se assim um mito do rock brasileiro. Verdadeiramente um mito, até porque Renato escolheu morrer sem adeus. Ausência de velório, ausência de enterro, ausência de corpo. Recusou fãs chorando sobre o caixão, celebridades transitando com olhar compungido, aquela fila anônima engarrafada no cemitério... recusou, em suma, seu último palco. Mas isso tudo importa menos. A última mensagem de Renato Manfredini Jr. é exatamente sua morte privada. A imagem que ele deixa, ou fez questão de deixar, é a de um ídolo que literalmente se transforma em cinzas. Os fãs haverão de sentir a falta de enterro, velório, cadáver... mas essa foi exatamente a opção de Renato. Os anos haverão de criar uma mitologia a respeito. Renato Russo não morreu, dirão alguns, como já disseram de tantos outros. Afinal, Renato não estourou a cabeça como Kurt Cobain nem expôs sua luta perdida como Cazuza. Renato apenas morreu sua morte privada. Na televisão, não haverá imagens senão do passado, dos clips do Legião ou de sua carreira solo. Algumas entrevistas lá e cá com amigos, músicos, celebridades. Como ele mesmo disse: "Quero que as pessoas que se preocupam comigo se danem, quero que elas se preocupem com a minha música". A Legião Urbana, enfim, continuará prevalecendo. Como sempre prevaleceu.

10. UMA OUTRA ESTAÇÃO

O fim da Legião Urbana foi anunciado então, dia 22 de outubro pelos parceiros Dado e Marcelo, acompanhados do empresário da banda, Rafael Borges. "É impossível continuar", contou Dado. "Eu e o Marcelo podemos até fazer coisas juntas, mas não será a Legião", continuou, dizendo ainda que "Não existe Legião Urbana sem Renato Russo". E mais: "Nós perdemos o nosso irmão mais velho (...) Fazíamos tudo juntos." Nestes 12 anos de gravadora EMI-Odeon, a Legião reuniu muito material inédito. Finalmente, no dia 18 de julho de 1997, foi lançado o último álbum em estúdio da banda: "Uma Outra Estação". Este álbum traz 14 canções algumas inéditas para os fãs da Legião e outras que não entraram em "A Tempestade" (ou "O Livro Dos Dias") e mais a vinheta Schubert Lander. As músicas escolhidas para estarem em "Uma Outra Estação" foram as seguintes: Riding Song, Uma Outra Estação, La Maison Dieu, Clarisse, A Tempestade, Matar ou Morrer, Comédia Romântica, Dado Viciado, Os Marcianos Invadem A Terra, Antes Das Seis, Mariane, Travessia do Eixão (cover de uma banda de Brasília da época do início da Legião, a Liga Tripa), Sagrado Coração e As Flores do Mal. Todos os vocais, exceto o de Riding Song são de Renato Russo e trata-se de um álbum menos depressivo que o anterior. Dado e Marcelo acertaram todos os detalhes finais para a conclusão do álbum, que trouxe ainda participações especiais como as de Renato Rocha (Negrete), que no dia 11 de abril daquele ano tocou um contrabaixo na gravação de Riding Song, a música que abre o disco. Ainda mais: Bi Ribeiro (dos Paralamas) também participa deste disco tocando contrabaixo em duas músicas: Antes das Seis e Travessia do Eixão. Participaram também deste disco o Carlos Trilha, tecladista preferido de Renato e Tom Capone, guitarrista amigo do Dado e produtor de rock.

11. MAIS DO MESMO

Coletânea com os maiores sucessos da Legião Urbana lançada no mês de março de 1998, abrangendo a totalidade da carreira da banda, incluindo músicas de todos os discos. A ordem da seleção é: Será, Ainda é Cedo, Geração Coca-Cola (Legião Urbana); Eduardo e Mônica, Tempo Perdido, "Índios" ("DOIS"); Que País é Este, Faroeste Caboclo (Que País é Este); Há Tempos, Pais e Filhos, Meninos e Meninas (As Quatro Estações); Vento no Litoral (V); Perfeição, Giz (O Descobrimento do Brasil); Dezesseis (A Tempestade); Antes das Seis (Uma Outra Estação).

Este disco em apenas 20 dias de vendagem alcançou a marca das 380 mil cópias. Não possui nenhuma versão inédita, e é uma boa oportunidade para quem não conhece o trabalho da Legião em escutar sobre tudo o que se discute e se venera nesta e em tantas outras páginas espalhadas pela Internet. Uma peculiaridade sobre o disco é que inicialmente Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos eram contra este lançamento, fato que ocorreu somente por uma insistência muito grande da gravadora EMI. Porém, a condição imposta foi que o disco fosse vendido apenas no período de um ano e que não entrasse em catálogo.

Outros materiais disponíveis como gravações ao vivo, shows piratas e Acústico MTV devem ser lançado até o ano 2000. Para este último a previsão é ainda o ano de 1998, no mês de outubro. Uma outra das possíveis gravações é a do último show da Legião no Rio de Janeiro, realizado em 1994 no Metropolitan.

Acabou a Legião Urbana, um grupo que com suas músicas e letras representava o retrato da juventude. Mas a vida continua. Continua a obra, continuam as músicas, e continuam as lembranças. Definitivamente a Legião estará na memória de todos.


Viva a Legio Urbana.